A Coca-Cola e o marketing de influência

Reportagem esmiúça estratégia da empresa de “encantar” influenciadores e utilizá-los para espalhar
a falácia de que a obesidade é culpa do indivíduo

É amplamente difundida pela indústria de alimentos a ideia de que a obesidade é uma questão de comportamentos individuais: aquele que não é capaz de se controlar diante de “tentações” calóricas, que não consegue fazer escolhas alimentares “equilibradas” e que tem “preguiça” de se exercitar com regularidade engorda a tal ponto de colocar a sua vida em risco.

A indústria de alimentos, porém, é protagonista na criação de um ambiente obesogênico que favorece escolhas alimentares não saudáveis e empurra a sociedade em direção a uma crise global de excesso de peso e outras doenças crônicas associadas. Mas opta deliberadamente por mentir, negar e esconder da opinião pública os efeitos desastrosos de seus produtos sobre a nossa saúde.

Para isso, orquestra uma sofisticada estratégia de marketing, que envolve influenciar e persuadir formadores de opinião para capilarizar de forma mais potente suas mensagens. Uma dessas estratégias é descrita em detalhes no blog O Joio e o Trigo, em uma reportagem que esmiúça a visitação promovida pela Coca-Cola a uma de suas fábricas e a promoção de palestras e outros conteúdos audiovisuais que pregam que a chave do bem-estar está no “equilíbrio” das escolhas.

Em outras palavras, isso significa, segundo a multinacional, que é perfeitamente saudável tomar uma líquido químico que contém 9,5 colheres de açúcar (o recomendado pela Organização Mundial da Sáude é de 6 colheres de açúcar ao dia) caso o indivíduo realize atividades corriqueiras como subir escadas, varrer a casa ou caminhar até o trabalho. E o pior: segundo eles, isso se aplica também às crianças, que estão liberadas para ingerir refrigerantes e outras bebidas adoçadas se fizerem uma pausa no videogame para jogar um pouco de bola e correr. Diversos estudos vêm provando que que essa é uma falácia e não se sustenta em base científica, mas a Coca-Cola e outras gigantes do setor ignoram esses e outros avanços.

O Joio e o Trigo lembra que a Coca-Cola contém: corante E150d, suspeito de causar câncer; cafeína em grandes quantidades, que pode causa pressão alta; ácido fosfóricos, que leva à osteoporose; e aspartame e acessulfame, que quando submetidos a altas temperaturas podem ser extremamente perigosos à saúde. Mas essas informações estão fora do escopo do marketing de influencia desenhado pela empresa. Infelizmente.

1 Comentário

  • bycharlottebovigny
    Posted 08/04/2018 11:49 0Likes

    Já que o procurador que denuncia, segundo seu currículo, parece ser um vermelho da pior espécie, então que se deixem os políticos, empreiteiros e almirantes assaltarem impunemente o tesouro nacional. Argumento de amebas, não acham? “Argumentum ad hominem (latim, argumento contra a pessoa) é uma falácia identificada quando alguém procura negar uma proposição com uma crítica ao seu autor e não ao seu conteúdo.123 A falácia ocorre porque conclui sobre o valor da proposição sem examinar seu conteúdo, o que é absurdo. O argumento contra a pessoa é uma das falácias caracterizadas pelo elemento da irrelevância, por concluir sobre o valor de uma proposição através da introdução, dentro do contexto da discussão, de um elemento que não tem relevância para isso, que neste caso é um juízo sobre o autor da proposição. Pode ser agrupado também entre as falácias que usam o estratagema do desvio de atenção, ao levar o foco da discussão para um elemento externo a ela, que são as considerações pessoais sobre o autor da proposição.

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