Água, um direito universal

Por: Alexandra Pinho

Nesta quinta-feira, dia 22 de março, comemora-se o Dia Mundial da Água, data para pensarmos no bem mais precioso do planeta, que é composto por mais de 70% de água. Da mesma forma, a composição das células de todos os seres vivos é de 60% a 90% desta substância, variando cerca de 60% em um adulto e 95% para um feto de três meses.

E não se trata da água do mar. Na Terra, 97,5% de toda água é marinha e, portanto, não é própria para ser usada por nós, em nossas casas, para beber, fazer alimentos, e nem na agricultura. Assim, somente 2,5% da água encontrada no planeta não é salgada e, deste percentual, apenas 30% é de água doce líquida, possível de ser utilizada, ou seja, aquela que vem dos rios, lagos e água subterrânea. Isto equivale a uma quantidade pequena de um bem tão precioso e mal cuidado.

Para onde vai a água que consumimos? 

Investir em saneamento básico, mostram as pesquisas, é investir em saúde. A cada R$ 1,00 gasto com tratamento de esgoto, são economizados R$ 4,00 em saúde pública. O esgoto encanado é tão importante para melhorar o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), que um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (Organização das Nações Unidas) uma série de metas socioeconômicas que os países-membros se comprometeram a atingir até 2030, é reduzir pela metade o número de pessoas sem rede de esgoto.

Vários trabalhos de pesquisadores brasileiros e internacionais revelam a presença resíduos de medicamentos (antibióticos, anticoncepcionais, etc.), hormônios sintéticos, metais pesados e agrotóxicos nas águas brasileiras. Mas, como eles chegam até a água? É só fazer uma pequena análise do que acontece em nossa casa, depois que vamos ao banheiro. Após a descarga, o conteúdo vai para uma estação de tratamento de esgoto (quando ela não existe, vai direto para os rios). Depois do tratamento, onde a matéria orgânica é depurada, a água é lançada novamente nos rios. Este rio, quilômetros à frente, será utilizado novamente, como abastecimento em outra cidade. Antes da distribuição, a água é tratada. Mas, infelizmente, nenhum destes tratamentos é capaz de retirar os contaminantes e, assim, ficamos expostos a eles todas as vezes que consumimos água.

Os agrotóxicos, por sua vez, chegam à água por diversos meios. Muito usados na agropecuária (atividade que utiliza 70% de toda água doce líquida do planeta), podem ser transportados pelos ventos até as águas, pela deriva na pulverização aérea ou terrestre, durante a sua aplicação nas lavouras. Nas cidades, esse risco também está presente na pulverização que visa o controle de vetores. Depois de depositados no solo e nas plantas, a chuva leva todos esses resíduos para os rios e lagos, podendo alcançar até as águas subterrâneas.

O monitoramento da qualidade das águas no Brasil é ineficaz e inadequado, revelando que não há interesse dos governos em detectar a presença destes venenos na água. Por força do agronegócio, os limites permitidos destes contaminantes na água, por lei, estão cada vez maiores, expondo a população às maiores concentrações de veneno.

Várias doenças estão associadas com a exposição a estes contaminantes, inclusive, câncer, diabetes, depressão, alergias, entre outras. Por isso é importante que saibamos como é a qualidade e o que tem na água que utilizamos. Mais que isso, água é nosso direito.

Alexandra Pinho é membro da Aliança, doutora em Engenharia Agrícola e professora da UFMS (Universidade Federal do Mato Grosso do Sul).

 

 

 

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