Entidades exigem que Fifa retire patrocínios de produtos não saudáveis

Com o início da Copa do Mundo, organizações da sociedade civil de diversos países da América Latina lançam petição para que campeonatos esportivos não tenham patrocínio da Coca-Cola

Imagem: State Department photo/Taça da Copa do Mundo

Devido ao início da Copa do Mundo, organizações de direitos do consumidor, da infância e adolescência, bem como alianças regionais pela saúde de diversos países da América Latina, lançam uma petição para exigir que a FIFA (Federação Internacional de Futebol) retire o patrocínio da Coca-Cola ao evento.  

A petição, que começou por iniciativa da organização mexicana El poder del Consumidor , é dirigida a Gianni Infantino, presidente da FIFA, e aos membros do Conselho de Direitos Humanos da FIFA, Lene Wendland, do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos; Sylvia Schenk, da Transparência Internacional Alemanha; Ignacio Packer, da Terre des Hommes; e Rachel Davis, da Shift.

“Ao aceitar o patrocínio da Coca-Cola, a FIFA está viabilizando a propaganda de um produto ultraprocessado, sem valor nutricional, no maior evento esportivo do mundo ”, afirma Ana Paula Bortoletto, nutricionista do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor). 

Paula Johns, diretora da ACT Promoção da Saúde, lembra que na última edição do torneio, realizada no Brasil, o mesmo aconteceu. “Precisamos ter uma visão mais crítica a respeito de quem patrocina eventos esportivos. No passado, as empresas de tabaco estavam presentes nesses eventos, mas a contradição de ter um produto prejudicial à saúde como patrocinador foi reconhecida, e o mesmo deve ocorrer com as empresas de refrigerante, como a Coca-Cola”, afirma.

No início deste ano, a FIFA anunciou um acordo com o Conselho da Europa para promover os direitos humanos no esporte, estimular a boa governança, a luta contra o doping e a violência. Contudo, de acordo com a petição, os direitos à saúde e à infância não estão sendo cumpridos, uma vez que a Federação fecha patrocínios com empresas que fabricam e comercializam alimentos e bebidas que representam um risco para a saúde.

Ameaça à saúde

 O consumo de refrigerantes e outras bebidas adoçadas está entre as principais causas da obesidade, do diabetes e da cárie dentária no mundo. De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), a ingestão de açúcar não deve exceder 5% do valor diário de calorias, sendo aceitável um consumo de até 10%. Contudo, segundo dados da POF (Pesquisa de Orçamentos Familiares) de 2008-2009, o consumo de açúcar por crianças e adolescentes brasileiros ultrapassa os 17% do valor diário de calorias.

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