O problema não é o selo de advertência. É o produto ultraprocessado

Gerente geral da Coca-Cola Peru diz em entrevista que modelo de rotulagem frontal da indústria é ‘muito complexo’

Se um selo de advertência na parte da frente da embalagem é capaz de derrubar as vendas de um produto, o problema não é o selo, é o produto.

Em outros termos, foi isso o que disse a gerente geral da Coca-Cola Peru, Evangelina Suárez, ao jornal La Republica em uma entrevista recente. Questionada pelo jornalista se acredita que o selo preto assusta o consumidor, ela respondeu que “ter mais informação é melhor (…)”. E completou: “Se uma etiqueta freia as vendas, que pena. Temos que criar outro produto. (Isso) Não nos preocupa.”

Os congressistas peruanos debatem atualmente qual modelo de rotulagem frontal deverá ser implementado no país, se o de advertência, baseado na experiência chilena e defendido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), ou o do semáforo nutricional, defendido pela indústria de alimentos ultraprocessados.

Na entrevista, Suárez aproveitou para dizer que a própria indústria é pioneira em oferecer informação nutricional na parte da frente da embalagem, com o modelo de Guideline Daily Amount (GDA). Utilizado em alguns países da Europa, esse modelo inclui na parte da frente das embalagens as informações nutricionais relevantes, porém em um formato numérico difícil de assimilar e comparar.

Quando questionada se o consumidor entende e utiliza o GDA, Suárez disse o que ciência já evidenciou: “Muitas vezes ele é muito complexo e as pessoas não leem”. De fato, estudos mostram que esse é um sistema ineficaz para informar o consumidor e guiá-lo na direção de escolhas conscientes e saudáveis.

A entrevista completa da gerente geral da Coca-Cola Peru Evangelina Suárez está disponível aqui, apenas em espanhol.

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