América Latina e Caribe vivem epidemia de obesidade

Publicado em 10 de julho de 2019

O Globo

 

 

08.07.2019

 

 

PARIS – América Latina e Caribe são vítimas de uma “epidemia de obesidade “, denuncia um informe publicado nesta segunda-feira pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e a Agência da ONU para Agricultura e Alimentação (FAO), ao mesmo tempo que o número de pessoas em situação  de insegurança alimentar continua aumentando na região.

 

 

“A obesidade afeta atualmente quase 25% da população, e 60% dos habitantes têm sobrepeso na América Latina e no Caribe”, destaca o relatório, que tem como título “Perspectivas agrícolas 2019-2028”.

 

 

O documento aponta o “triplo ônus da má nutrição”, uma mescla de subalimentação, obesidade e falta de micronutrientes, que cria “um problema de saúde pública cada vez mais grave”.

 

 

O fenômeno “parece seguir avançando”, alertam os especialistas da FAO e da OCDE, “especialmente para os setores pobres da população, as mulheres, as populações autóctones, as pessoas de ascendência africana e, em certos casos, as crianças”.

 

 

As taxas de sobrepeso e de obesidade, que são claramente superiores ao nível médio mundial há mais de 40 anos, são “comparáveis” às dos países de alta renda. Atualmente, a região fica na segunda posição na classificação mundial, atrás da América do Norte, informa o documento.

 

 

 

Alimentos mais caros

 

 

Ao mesmo tempo, apesar do excedente na produção agrícola e alimentar na América Latina, a quantidade de pessoas em situação de insegurança alimentar “aumentou pelo terceiro ano consecutivo”. Mais que a disponibilidade dos alimentos, o custo para os consumidores pobres é o que explica o agravamento da situação, de acordo com os analistas.

 

 

A Organização Mundial da Saúde (OMS), outra agência da ONU, recomenda que a proporção de açúcares e gorduras não supere 10% e 30%, respectivamente, das calorias totais consumidas. “Mas parece que os hábitos alimentares da região não concordam com o que é pregado”, destaca o informe.

 

 

Os especialistas alertam ainda para o forte aumento do consumo de proteínas de origem animal, em uma região na qual a dieta costumava ser rica em cereais, raízes, tubérculos e legumes. O informe aponta algumas iniciativas de políticas públicas como a limitação da publicidade de alimentos e bebidas processados, assim como rótulos nutricionais detalhados nas embalagens, medida implementada pelo Chile, o imposto sobre os alimentos vinculado à saúde no México e a lei sobre alimentação nas escolas no Brasil.

https://oglobo.globo.com/sociedade/america-latina-caribe-vivem-epidemia-de-obesidade-23791443

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