Rotulagem nutricional frontal, restrição de marketing infantil e taxação de bebidas adoçadas
são algumas das medidas implementadas no Chile

Quem acompanha o debate sobre políticas públicas em nutrição e saúde tem ouvido bastante sobre os esforços do Chile para a promoção de uma alimentação mais saudável e adequada. Recentemente, o jornal americano The New York Times, uma das publicações mais importantes do mundo, publicou uma longa reportagem sobre a experiência desse país latino-americano que vem servindo de referência no combate ao sobrepeso e à obesidade.

A publicação lembra que hoje cerca de 75% dos adultos chilenos e 50% das crianças de 6 anos estão acima do peso. Os altos índices, somados a um alto gasto com o tratamento de doenças crônicas não transmissíveis que resultam de uma má alimentação, levaram o país a implantar as “medidas mais ambiciosas” das quais se tem notícia, relata o NYT.

Restrição do marketing de alimentos direcionado às crianças, leis de proteção do ambiente escolar contra a comida não saudável e a taxação das bebidas adoçadas são algumas delas. Mas é a rotulagem nutricional frontal, baseada no modelo inovador de advertência, que chama ainda mais a atenção.

“As pessoas têm o direito de saber o que a indústria de alimentos tem colocado nessas porcarias e, com essa lei, acredito que o Chile deu uma importante contribuição para a humanidade”, disse ao jornal americano Guido Girardi, médico e senador chileno que liderou a aprovação dos selos pretos nas embalagens. “O açúcar mata mais que o terrorismo e os acidentes de carro juntos”.

A reportagem lembra, ainda, que o modelo se espalha por outros países. No Brasil, a discussão avança na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “A epidemia de obesidade é muito clara e perversa para toda a população, incluindo para a elite política, e nenhum país consegue controlar esse quadro sem regular o ambiente alimentar”, finalizou o professor Carlos Monteiro, do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens/USP). “Fazer nada [a esse respeito] não é mais uma opção”.

A reportagem completa do The New York Times, em inglês, pode ser lida aqui. O jornal O Estado de S. Paulo traduziu o material aqui. O blog Ciência InForma publicou um comentário sobre o assunto, aqui.

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1 Comment

  • byObesidade
    Posted 18/09/2018 15:20 0Likes

    Justo o que eu procurava, obrigada

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