O Brasil tirou mais de 40 milhões de pessoas da insegurança alimentar nos últimos anos (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

Com informações do Painel Internacional de Especialistas em Sistemas Alimentares Sustentáveis – IPES-Food

O Brasil está oficialmente fora do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas (ONU), após tirar mais de 40 milhões de pessoas da insegurança alimentar. 

Depois de anos de desmantelamento de políticas públicas, cortes profundos no orçamento e interrupção do diálogo com a sociedade civil, essa é uma conquista histórica, impulsionada pela articulação de iniciativas que envolvem desde a produção até o acesso a alimentos saudáveis. 

É um modelo que oferece a prova de que um futuro livre da fome não é apenas possível, mas está ao alcance. 

Desde que assumiu a presidência em 2023, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva tornou a erradicação da fome sua principal prioridade, com um programa de longo alcance: o “Brasil Sem Fome”. Os objetivos são: (1) tirar o país do Mapa da Fome da ONU, (2) reduzir a insegurança alimentar e nutricional (especialmente a insegurança grave) e (3) diminuir as taxas de pobreza ano a ano. 

O relatório Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo (SOFI) da ONU, publicado nesta segunda-feira, 28 de julho, confirma que o Brasil atingiu seu primeiro objetivo: a remoção do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO-ONU)

Os Mais Recentes Dados da ONU Sobre o Brasil

Os últimos números da ONU sobre o Brasil revelam avanços significativos na segurança alimentar:

  • Subalimentação: A subalimentação no Brasil caiu para menos de 2,5%, o que está abaixo do limite de notificação do Mapa da Fome da ONU. “Subalimentação” significa que as pessoas não têm calorias suficientes para uma vida ativa.
  • Insegurança Alimentar Grave: 14 milhões de pessoas saíram da insegurança alimentar grave, uma redução de dois terços, passando de 21,1 milhões (9,9%) em 2020-2022 para 7,1 milhões (3,4%) em 2022-2024. Pessoas com “insegurança alimentar grave” geralmente ficam sem comida ou passam um dia ou mais sem comer.
  • Insegurança Alimentar Moderada a Grave: No mesmo período, mais de 40 milhões de pessoas saíram da situação de insegurança alimentar moderada a grave: de 70,3 milhões (32,8%) em 2020-2022 para 28,5 milhões (13,5%) em 2022-2024. Isso representa um dos declínios mais rápidos e significativos na insegurança alimentar já registrados. Aqueles que enfrentam “insegurança alimentar moderada” reduzem regularmente a qualidade ou a quantidade de seus alimentos e vivem com incerteza sobre sua capacidade de acesso a refeições.
  • Dieta Saudável Acessível: A proporção de pessoas incapazes de pagar uma dieta saudável também caiu de 29,8% em 2021 para 23,7% em 2024.

No entanto, o relatório observa que o custo de uma dieta saudável continua a aumentar, o que ressalta os desafios contínuos em relação à acessibilidade dos alimentos e à desigualdade.

Para Elisabetta Recine, integrante do Núcleo Gestor da Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável e presidente do Consea, o Brasil não venceu a fome por acaso. Isso exigiu uma ação política concentrada envolvendo a sociedade civil organizada e articulando muitas políticas, desde transferência de renda, apoio à agricultura familiar, retomada de inúmeros programas, valorização do salário mínimo, entre outros.

“Os resultados merecem ser comemorados mantendo a prioridade de reduzir drasticamente todas as dimensões das injustiças, adotar o enfrentamento da crise climática como eixo transversal a todas as ações e medidas que aumentem nossa resiliência diante de desafios impostos internacionalmente, quanto mais fortalecidos estivermos melhores condições teremos para enfrentá-los “, diz Recine.

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