13/04/2026 - Blog Notícias Clima Alimentação Saúde

Da Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável
Sistemas alimentares saudáveis e sustentáveis são aqueles que asseguram segurança alimentar e nutricional e garantem o direito humano à alimentação adequada a todas as pessoas, sem comprometer as bases econômicas, sociais e ambientais necessárias às futuras gerações. Um sistema alimentar reúne todos os elementos envolvidos na alimentação, como ambiente, pessoas, insumos, processos, infraestruturas e instituições, e as atividades relacionadas à produção, ao processamento, à distribuição, ao preparo, ao consumo e ao descarte de alimentos. Para serem saudáveis e sustentáveis, esses sistemas devem ser:
- Economicamente viáveis, gerando benefícios para trabalhadores, governos, empresas e pessoas;
- Socialmente justos, com distribuição equitativa de valor e respeito à nutrição, saúde, tradições, condições de trabalho e bem-estar animal;
- Ambientalmente responsáveis, com impactos neutros ou positivos sobre a biodiversidade, os recursos naturais e os ecossistemas.
No Brasil, os sistemas alimentares estão profundamente ligados à crise climática: entre 1985 e 2023, a agropecuária expandiu de 187 para 282 milhões de hectares, ocupando um terço do território nacional e respondendo por 30,5% das emissões de gases de efeito estufa. Esse modelo, baseado em monoculturas e cadeias longas de produção e distribuição, gera impactos ambientais, econômicos e sociais. Ele também dificulta o acesso a alimentos in natura ou minimamente processados, contribuindo para a formação de desertos alimentares.
Além de contribuírem para a crise climática, os sistemas alimentares também sofrem seus efeitos. Segundo o Plano Nacional de Segurança Hídrica (2019), entre 2014 e 2023 secas e enchentes provocaram grandes prejuízos à agropecuária. A irregularidade das chuvas pode aumentar em 66% a demanda por irrigação até 2040, principalmente no Cerrado e na Caatinga.
Portanto, uma transição justa dos sistemas alimentares é urgente. Não basta mudar tecnologias, é necessário reconfigurar o sistema agroalimentar para enfrentar a chamada “tríplice monotonia”: a concentração na produção de commodities, a redução na variedade de espécies na atividade agropecuária e a expansão do consumo dos ultraprocessados. Esse padrão agrava as desigualdades territoriais, ameaça os ecossistemas e amplia os riscos à saúde, exigindo uma transição sistêmica urgente.
A construção de sistemas alimentares mais resilientes exige enfrentar as crises atuais e promover mudanças estruturais. Essa resiliência depende da diversidade produtiva, da equidade e da participação ativa das comunidades. Afinal, os sistemas alimentares são socioecológicos e interdependentes. Incorporar essa perspectiva amplia o debate sobre alimentação, clima e saúde e mostra que não se trata apenas de garantir comida no prato, mas de implementar sistemas alimentares enraizados nos territórios e nas pessoas que os sustentam.
Neste contexto, a transformação justa dos sistemas alimentares defendida pela Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável busca fortalecer a governança e a coerência das políticas públicas, fomentar sistemas alimentares diversificados, promover o diálogo entre diferentes formas de conhecimento e apoiar decisões baseadas em evidências científicas, além melhorar a preparação para emergências e fortalecer o planejamento diante de crises.
Referências:
BRASIL. Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. Marco de Referência de Sistemas Alimentares e Clima para Políticas Públicas. Brasília: MDS, 2025. Disponível em: https://www.gov.br/mds/pt-br/acoes-e-programas/promocao-da-alimentacao-adequada-e-saudavel/marco-de-referencia-sobre-sistemas-alimentares-e-clima-para-politicas-publicas. Acesso em: 25 mar. 2026.
INSTITUTO FOME ZERO (IFZ). Pathways Towards a Just Transition in Agrifood Systems. 2025. Disponível em: https://ifz.org.br/por-que-a-transicao-justa-dos-sistemas-alimentares-e-inevitavel/. Acesso em: 25 mar. 2026.
INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA (IPEA). ODS 2 – Fome Zero e Agricultura Sustentável. Brasília: Ipea, [s.d.]. Disponível em: https://www.ipea.gov.br/ods/ods2.html. Acesso em: 25 mar. 2026.
INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA (IPEA). Caminhos para a transição do sistema agroalimentar: desafios para o Brasil. Brasília: Ipea, [s.d.]. Disponível em: https://www.ipea.gov.br/ods/ods2.html. Acesso em: 25 mar. 2026.
ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS (ONU). Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 2: Fome Zero e Agricultura Sustentável. Disponível em: https://brasil.un.org/pt-br/sdgs/2. Acesso em: 25 mar. 2026.
EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA (EMBRAPA). Embrapa Territorial apresenta atribuição, ocupação e uso das terras no Brasil na COP30. 2025. Disponível em: https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/104480953/embrapa-territorial-apresenta-atribuicao-ocupacao-e-uso-das-das-terras-no-brasil-na-cop30. Acesso em: 25 mar. 2026.
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (USP). Sustentarea. Sistemas alimentares e ODS 2. 2020. Disponível em: https://www.fsp.usp.br/sustentarea/2020/05/26/sistemas-alimentares-e-ods-2/. Acesso em: 25 mar. 2026.
