Chuvas em MG: já choveu mais de 4 vezes o esperado para fevereiro em Juiz de Fora

Da Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável

A emergência climática é real e acontece agora. Na região da Zona da Mata Mineira, as cidades de Juiz de Fora, Ubá, Matias Barbosa e Senador Firmino receberam mais de quatro vezes a média de chuva esperada para o mês de fevereiro. As consequências foram enchentes, deslizamentos e mortes, pessoas desabrigadas, desalojadas e desaparecidas. 

E este não é um caso isolado. A história recente comprova a previsão feita há décadas por ambientalistas e climatologistas, de que desastres ambientais serão cada vez mais frequentes e intensos. O número de desastres climáticos relacionados à chuva no Brasil aumentou de forma expressiva nos últimos anos, com milhares de eventos registrados desde 2020, afetando a maior parte dos municípios brasileiros e causando perdas humanas e prejuízos econômicos substanciais. 

No caso de Juiz de Fora, em que os volumes de chuvas chegaram a 774 milímetros (dados do Instituto Nacional de Meteorologia – INMET, em 27/02), mais de 4,5 vezes o valor da média, essa tragédia não foi inesperada: alertas oficiais do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN/MCTI), já classificavam o município como área de alto risco para deslizamentos de terras e chuvas intensas. Segundo o CEMADEN, em 2025, quase 130 mil pessoas no Brasil viviam nessas condições. 

Além de todas as perdas que poderiam ser prevenidas ou minimizadas com investimentos do poder público em ações de adaptação climática, esses eventos extremos oferecem graves danos à saúde da população. Um dos riscos imediatos é a contaminação por doenças graves, como a leptospirose e a hepatite A, devido ao contato com água das enchentes, contaminada por esgoto, lixo e produtos químicos.

Outros eventos climáticos extremos também são causa direta de problemas de saúde: as ondas de calor, secas e incêndios contribuem de forma direta e indireta para o aumento de doenças respiratórias e cardiovasculares, devido ao agravamento da qualidade do ar e aumento da exposição a poluentes e alérgenos. Além disso, há expansão geográfica e aumento da incidência de doenças como dengue e malária, devido à modificação do habitat de mosquitos e outros vetores.

Esses eventos climáticos extremos, como as enchentes, evidenciam como a emergência climática contribui para a insegurança alimentar e hídrica, com impactos sobre a agricultura, o abastecimento de água e a ocorrência de doenças infecciosas. Esses impactos não são distribuídos de forma igual: têm recorte social e racial, atingindo de maneira mais intensa populações vulnerabilizadas, especialmente moradores de periferias, contribuindo para o aprofundamento das desigualdades.

Há outras consequências, como o deslocamento populacional, que também afetam a saúde mental, aumentando casos de depressão, ansiedade e transtornos pós-traumáticos. Portanto, as mudanças climáticas acarretam problemas de saúde diversos, abrangendo doenças infecciosas, crônicas, nutricionais, mentais e sociais, com impactos crescentes e desproporcionais sobre grupos vulneráveis. Essa relação entre segurança alimentar, mudanças climáticas e saúde é evidente e a Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável reforça a necessidade de políticas públicas que minimizem esses impactos e sejam direcionadas a quem mais sofre, priorizando os grupos e territórios mais vulnerabilizados.

Como Ajudar

Existem diferentes formas de contribuir com a população de áreas atingidas por eventos climáticos extremos. A solidariedade faz a diferença, mas é fundamental procurar fontes confiáveis para que a ajuda seja corretamente direcionada a quem mais precisa. Além das informações fornecidas pelos canais oficiais da Defesa Civil Estadual e Municipal, das Prefeituras e do Corpo de Bombeiros, ONGs locais, coletivos comunitários e instituições religiosas com tradição de atendimento social também prestam um papel muito importante e ajudam a receber e distribuir as doações. 

Quem está em locais distantes pode contribuir com doações em dinheiro, mas procure canais oficiais de organizações reconhecidas e, ao doar via transferência ou PIX, confirme o nome da instituição responsável pela campanha. Evite doações para pessoas físicas, caso não as conheça. A prefeitura de Juiz de Fora está recebendo ajuda pelo pix: contribua@pjf.mg.gov.br, e secretaria de desenvolvimento social de Ubá está recebendo ajuda pelo PIX: 18.128.207/0001-01

Pessoas que estão fisicamente próximas aos locais atingidos podem doar alimentos, água potável e itens de higiene pessoal nos pontos de coleta (verifique diretamente nestes locais quais as necessidades urgentes antes de fazer a doação). Além disso, também é possível contribuir realizando trabalho voluntário (produção e distribuição de alimentos, limpeza de áreas atingidas, apoio nos pontos de coleta etc.). 

Fontes: 

  • Amouzou A, Barros AJD, Requejo J, et al. The 2025 report of the Lancet Countdown to 2030 for women’s, children’s, and adolescents’ health: tracking progress on health and nutrition. Lancet. 2025 Apr 26;405(10488):1505-1554. doi:10.1016/S0140-6736(25)00151-5.
  • CNN Brasil. Temporais voltam a castigar região da Zona da Mata mineira; veja imagens [Internet]. São Paulo: CNN Brasil; 26 fev 2026 [citado 27 fev 2026]. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/sudeste/mg/temporais-voltam-a-castigar-regiao-da-zona-da-mata-mineira-veja-imagens/
  • Haines A, Ebi K. The imperative for climate action to protect health. N Engl J Med. 2019 Jan 16;380(3):263-273. doi:10.1056/NEJMra1807873.
  • Hiatt RA, Beyeler N. Cancer and climate change. Lancet Oncol. 2020 Nov;21(11):e519-e527. doi: 10.1016/S1470-2045(20)30448-4. Erratum in: Lancet Oncol. 2020 Dec;21(12):e553. doi: 10.1016/S1470-2045(20)30698-7
  • McLellan RK, Berenji M, Egbuji A, et al. Harnessing occupational and environmental medicine expertise to transform medical care: a catalyst for mitigating the human health impacts of climate change. J Occup Environ Med. 2025 Oct;67(10):e743-e758. doi:10.1097/JOM.0000000000003523.