Você já ouviu falar em racismo ambiental?
Porque a crise climática não afeta igualmente toda a população

Da Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável

O racismo ambiental é um conceito que evidencia como os impactos da crise climática e da degradação ambiental atingem de maneira desigual diferentes grupos sociais, afetando principalmente populações historicamente marginalizadas e invisibilizadas. Esses grupos são formados por populações negras, indígenas, quilombolas, periféricas e outros povos e comunidades tradicionais que frequentemente enfrentam maior exposição à insegurança ambiental e à violação de direitos básicos.

O termo pode ser compreendido como as práticas, políticas e estruturas institucionais que produzem e perpetuam desigualdades socioambientais, resultando na distribuição desproporcional de riscos ambientais e no acesso desigual a recursos naturais, serviços públicos e condições adequadas de vida. O racismo ambiental está diretamente relacionado à exclusão territorial, à ausência ou insuficiência de políticas públicas efetivas e aos processos históricos de desigualdade racial, social e econômica. Suas consequências são o não reconhecimento e a perda de territórios, a insegurança alimentar, a dificuldade de acesso à água potável, ao saneamento, à saúde e à educação, além do aumento da vulnerabilidade diante de eventos climáticos extremos e da contaminação ambiental.

Nesse contexto, a discussão sobre os sistemas alimentares torna-se fundamental. O atual modelo hegemônico de produção e distribuição de alimentos, marcado pela expansão das monoculturas, pela concentração de terras e pelo uso intensivo de agrotóxicos, contribui para o agravamento da crise climática e impacta diretamente a saúde e a qualidade de vida das populações mais vulnerabilizadas.

Por outro lado, fortalecer sistemas alimentares sustentáveis, baseados na agroecologia, na valorização dos saberes tradicionais, na soberania alimentar, no acesso equitativo a alimentos saudáveis e na superação de desigualdades é essencial para enfrentar o racismo ambiental. Promover justiça climática e alimentar exige reconhecer as relações entre raça, classe, gênero e acesso aos territórios, construindo estratégias que priorizem equidade, sustentabilidade e garantia de direitos.

Referências:

 https://jornal.usp.br/atualidades/racismo-ambiental-e-uma-realidade-que-atinge-populacoes-vulnerabilizadas/ 

 https://inesc.org.br/wp-content/uploads/2024/03/fc-doc-principios_e_diretrizes_enfrentamento_racismo_ambiental.pdf  

https://racismoambiental.net.br/textos-e-artigos/racismo-ambiental-expropriacao-do-territorio-e-negacao-da-cidadania-2/

PACHECO, Tania. “Inequality, Environmental Injustice, and Racism in Brazil: Beyond the Question of Colour”. In: Development in Practice. Aug. 2008, Vol.18(6) (https://doi.org/10.1080/09614520802386355). Versão em português disponível em https://racismoambiental.net.br/textos-e-artigos/desigualdade-injustica-ambiental-e-racismo-uma-luta-que-transcende-a-cor/, sob o título “Desigualdade, injustiça ambiental e racismo: uma luta que transcende a cor”. Nesse texto, busco mostrar como o Racismo Ambiental  – conceito originário dos Estados Unidos – necessita ser antropofagicamente desconstruído e reformulado entre nós, conforme as especificidades da realidade brasileira.

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