Carta Política reforça mobilização em prol de uma agenda de Segurança Alimentar e Nutricional

“Ubuntu: só estaremos bem se todas e todos estivermos bem!”

Foto: Consea Segurança Alimentar

Essa é a mensagem final da Carta Política do Encontro 5a+2, divulgada no fim do mês de março como resultado do encontro que teve como objetivo realizar um balanço comparativo entre o que foi proposto na 5a Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional – realizada em 2015 em Brasília – e aquilo que foi efetivamente implementado em ações do governo federal no 2º Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Plansan).

O encontro aconteceu entre os dias 6 e 8 de março, organizado pelo Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), e contou com 368 participantes da sociedade civil, governos e convidados. Além do balanço, a 5ª+2 permitiu analisar o contexto social, político e econômico do país e também lançar um olhar sobre as agendas de futuro no campo da segurança alimentar e nutricional.

“Ao longo dos anos, a sociedade brasileira participou das conquistas e avanços para a garantia da Segurança Alimentar e Nutricional (SAN)”, diz a Carta. “Contudo, a atual conjuntura de retrocessos na democracia nos impôs um cenário de desconstrução de direitos, precarização das relações de trabalho, aumento do desemprego, esvaziamento de políticas públicas e iminente volta do Brasil ao Mapa da Fome.”

Ao todo, são 35 reivindicações que reforçam a resistência e luta pela Comida de Verdade no Campo e na Cidade, por Direitos e Soberania, e que dialogam constantemente com a agenda de prioridades estabelecidas pela Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável. Com destaque para os seguintes itens:

  • Estruturar sistemas de produção sustentáveis, que garantam a Comida de Verdade, priorizando e valorizando a agricultura familiar e camponesa e a agricultura urbana em base agroecológica, como proposta de desenvolvimento para o país, em contraponto ao sistema alimentar hegemônico;
  • Fortalecer e ampliar mercados de produtores, feiras agroecológicas e demais estratégias que estabeleçam circuitos curtos de produção e consumo;
  • Avançar na agenda regulatória dos produtos ultraprocessados, com destaque para: corte de subsídios para as empresas e aumento dos tributos para os ultraprocessados; rotulagem que informe adequadamente a composição dos produtos, mantendo a informação sobre a presença de transgênicos e incluindo a rotulagem frontal de advertência; regulação da publicidade de ultraprocessados, sobretudo aquela dirigida às crianças.

Com o pleito nacional que se aproxima, a Carta será apresentada aos candidatos das próximas eleições, dialogando pela priorização de uma agenda de SAN. Estamos confiantes de que o impacto será grande.

Por fim, fazemos nossas as palavras finais do documento:

“Nós, defensoras e defensores do DHAA (Direito Humano à Aimentação Adequada), estamos firmes, fortes e resilientes e não vamos nos render. Estamos presentes nas cidades, nos campos, nas florestas e nas águas, ocupando espaços institucionais e não institucionais e mobilizando a sociedade em prol da agenda de SAN e pela realização de direitos. Ubuntu: só estaremos bem se todas e todos estivermos bem!”

Acesse aqui a íntegra da Carta Final da 5ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional + 2.

 

1 Comentário

  • byNilson Fernandes
    Posted 16/04/2018 09:28 0Likes

    O tema é importante e deve ganhar destaque nas mensagens diárias compartilhando com o público que sustenta este pilar, quanto no todo dos campesinos tem acesso de fato aos acontecimentos, a revolução na segurança alimentar, precisamos do engajamento das famílias campesinas, se as informações continuar girando ao entorno de uma parte do sistema…, Continuaremos remando contra os fortes ventos do alimento “convencional”.
    Sendo campesino só consigo ter acesso se pesquisar, caso contrário se quer ouvir falar a quanto andas o entendimento do que é e como será viabilizado a economia solidária como parte do desenvolvimento da agricultura Familiar.

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