O Brasil possui mais de 47 milhões de estudantes na educação básica, que passam cerca de 200 dias por ano nas escolas, onde fazem de uma a duas refeições, todos os dias. Ou seja, o cotidiano escolar tem grande influência na construção dos hábitos alimentares, que nos acompanham por toda a vida. E, de olho nesse potencial público consumidor, as indústrias de alimentos ultraprocessados, que fazem mal à saúde, inventam modos dissimulados para divulgar seus produtos e marcas para crianças e adolescentes dentro de escolas públicas e privadas.

É nesse contexto que a ACT Promoção da Saúde lançou a cartilha “Proteção da escola contra a interferência das indústrias de alimentos”, para download gratuito (clique aqui e baixe o seu!). A publicação desvenda táticas da indústria de ultraprocessados para entrar nas escolas e promover suas marcas e produtos, apesar do mal que seu consumo pode fazer à saúde dos estudantes. De acordo com o Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, deve-se evitar o consumo de ultraprocessados, categoria que reúne produtos com poucos nutrientes e grandes quantidades de açúcar, sal e gorduras, além de vários tipos de aditivos químicos para dar e realçar cores, texturas, aromas e sabores, ou seja, uma verdadeira maquiagem para tornar esses produtos atraentes para os consumidores, em especial as crianças. São exemplos de produtos ultraprocessados os refrigerantes e refrescos em pó, bebidas lácteas açucaradas, salsichas e outros embutidos, salgadinhos de pacote e bolachas recheadas.

Campeonato esportivo de uma marca de achocolatado cheio de açúcar? Espetáculo cultural promovido por rede de fast food? Desafio da reciclagem promovido por fabricante de suco em pó? É marketing! “As táticas utilizadas pelas indústrias para entrar nas escolas são feitas para confundir a comunidade escolar e famílias: parecem atender demandas concretas das escolas, aparentam contribuir para a sustentabilidade, cultura e saúde, quando, na verdade, tem objetivo comercial por meio da promoção de uma boa imagem pública”, afirma Kelly Alves, nutricionista e especialista em saúde pública da ACT Promoção da Saúde, e uma das autoras da cartilha.  

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